A temporada de 2026 iniciou de forma positiva para o Campinense. É que, apesar de não ter chegado à grande final do Campeonato Paraibano, a Raposa teve uma das melhores campanhas do estadual, o que lhe garantiu uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027, competição que não disputa há três anos. Porém, o processo de reestruturação acabou se transformando em um caos administrativo. É que, no último dia 21, o Conselho Deliberativo afastou o presidente e o diretor financeiro do Rubro-Negro.
Atrasos salariais e dúvidas sobre a Copa Paraíba
As dificuldades começaram logo após a disputa do Paraibano. Em contato com o ge, uma pessoa ligada à diretoria rubro-negra confirmou que o clube enfrenta problemas com atrasos salariais de funcionários e atletas que atuaram na campanha que levou a Raposa à semifinal contra o Sousa. Existe também uma indefinição quanto à participação da equipe na Copa Paraíba.
O torneio, que retorna ao calendário do futebol paraibano em 2026, garantirá ao campeão uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. A expectativa é de que os jogos aconteçam em agosto deste ano; porém, o time vai aguardar o detalhamento e a confirmação das datas pela FPF-PB para pensar no planejamento. A princípio, o foco é arrecadar recursos para quitar os salários atrasados.
Cobranças emitidas pelo Conselho Deliberativo
Avaliando a situação vivida pelo clube após o estadual, o Conselho Deliberativo emitiu quatro ofícios endereçados à Diretoria Executiva, encabeçada pelo presidente Flávio Torreão, cobrando esclarecimentos. Além dos débitos salariais, as exigências foram feitas em relação aos honorários advocatícios, gestão financeira e conservação do patrimônio, inclusive cobrando o sumiço de uma máquina de gelo.
A versão da diretoria foi de que estava aguardando receber o patrocínio junto à Prefeitura de Campina Grande para efetuar os pagamentos. Contudo, os funcionários ainda não teriam recebido os respectivos valores. Relatos apontam que, em alguns casos, os atrasos poderiam chegar a três meses.
Também existem débitos com os honorários dos advogados em processo junto à FIFA, o que pode acarretar sanções pela entidade. Os valores giram em torno de R$ 250 mil, referentes ao Mecanismo de Solidariedade da FIFA. A regra destina até 5% do valor total de transferências internacionais de jogadores aos clubes que participaram da formação do atleta.
O Conselho Deliberativo chegou a solicitar a entrega de um relatório financeiro detalhado com todas as receitas e despesas entre setembro de 2025 e abril de 2026. Além disso, após o suposto sumiço de uma máquina de gelo, que faz parte do patrimônio da Raposa, o equipamento estaria instalado em estabelecimento comercial privado de um diretor do clube. Outros materiais esportivos também teriam sumido do Renatão.
No último ofício, o CD manifestou preocupação com o Regime Centralizado de Execuções, acordo firmado com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para concentrar ações trabalhistas, que determina o repasse de 20% da receita do Campinense para pagamento das dívidas.
De acordo com o documento, em reunião realizada no dia 27 de abril, Flávio Torreão teria informado que o acordo não estaria sendo cumprido, o que pode resultar em penhoras e restrições ao patrimônio do Campinense. Após esses entraves, em reunião extraordinária realizada no último dia 21, os conselheiros decidiram, por unanimidade, afastar o presidente e o diretor de administração e finanças, Wellington Monteiro da Silva.
O afastamento não implica na destituição dos cargos. Os dirigentes terão 48 horas para entregar documentos, acessos e bens institucionais e até 20 de junho para apresentar defesa ao Conselho Deliberativo. Em 1º de julho, o relator Francisco Neto emitirá parecer, e o Conselho decidirá entre destituição, retorno aos cargos ou prorrogação do afastamento. Com a saída de Torreão, o vice-presidente William Simões assume interinamente a presidência enquanto durar o afastamento.
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